Osne-le-Val

 

Osne-le-Val é uma pequenina comuna da região de Champanha-Ardenas, no departamento de Haute-Marne, nordeste da França, a 213 km de Paris. Faz parte da comunidade de comunas do Vale de Marne (Vallée de la Marne). Era conhecida antigamente como Val d'Osne.

Em 1178, o bispo de Châlons fundou uma cura no local, subordinada ao Capítulo de Joinville. Existia na região um monastério dos beneditinos de Notre-Dame du Val-d'Osne.

Osne-le-Val tem apenas 27 km² de área e possui menos de 300 habitantes, chamados de cayens e cayennes (feminino). A cidadezinha é pouco visitada e sua população vem diminuindo.

Entretanto, Osne-le-Val tem grande importância para o mundo das artes. No século 19, até o início do século 20, abrigou uma das mais importantes fundições de arte no mundo: a fonderie d'art du Val d'Osne, que produziu monumentos e chafarizes espalhados por vários países, incluindo muitos no Brasil. Essa fundição instalou-se aqui por causa das antigas minas de ferro de Osne-le-Val.

As antigas instalações da Val d'Osne e a igreja matriz são os principais patrimônios históricos de Osne-le-Val.

 

Patrimonio artístico

 

As usinas de Val d'Osne na época em que operavam, cerca de 1912. Na entrada, um leão alado do escultor francês Henri Alfred Jacquemart (1924-1896), que teve várias de suas obras fundidas nestas usinas (note que o leão da foto acima é outro).

 

Antigas instalações da fundição de arte de Val d'Osne. Acima, a entrada, embaixo, os prédios das usinas (fotos Ji-Elle, em março de 2011).

 

A Fonderie d'Art du Val d'Osne

A fundição de arte de Val d'Osne foi fundada, em 1836, por Jean-Pierre Victor André, na comuna d'Osne-le-Val.

Jean-Pierre Victor André nasceu em 26 de dezembro de 1790. Ele era mestre de forjaria de uma empresa metalúrgica. Com ideias pioneiras na área, André abriu sua própria fundição em Osne-le-Val, onde havia minério de ferro, areia para os moldes e bastante madeira para os fornos.

Sua empresa de fundição de arte tornou-se famosa pela qualidade e variedade de suas obras neoclássicas. Na segunda metade do século 19 e início do século 20, houve uma grande demanda por fontes ornamentais, uma especialidade da Val d'Osne, que empregava o bronze e o ferro fundido, em lugar do mármore.

Em 1844, a fundição já contava com 220 empregados. Suas instalações incluíam, por exemplo, um autoforno, um forno Cubilot, um atelier de usinagem e uma galeria de modelos.

André passou a trabalhar com renomados escultores, como Henri Alfred Jacquemart, Mathurin Moreau, Jean-Jacques Pradier, Alphonse Lerolle, Pierre Loison, Jules Salmson, Henri Frédéric Iselin, Louis Sauvageau, Jean de Bologne, Albert Ernest Carrier-Belleuse, Pierre Louis Rouillard, August Martin, Provin Serres, Gabriel Dubray, Joseph de Nogent, Charles Auguste Lebourg, Guillaume Coustou, Pierre Lepautre, Georges Prosper Clère, Eugéne Louis Leguesne, Isidore Bonheur, Delaplanche, Gautherin, Liénard.

Em 1851, André foi laureado na Grande Exposição de Londres. Ele faleceu nesse mesmo ano, trabalhando na sua fundição. Sua viúva assumiu, então, a direção da empresa, que passou a se chamar Mme. Veuve André & Fils.

Em 1855, uma fonte da Val d'Osne, concebida por Mathurin Moreau, foi exposta na Exposição Universal de Paris, com o código 554T, e ganhou uma medalha de ouro.

Posteriormente, Gustave Barbezat adquiriu a empresa. Em 1855, a Val d'Osne tinha o nome de Société Barbezat & Cie. Em 1867, foi adquirida pela Fourment Houillé & Cie.

Em 1870, a empresa chamava-se Société Anonyme des Hauts-Forneaux et Fonderies du Val d'Osne.

Em 1878, a Val d'Osne incorporou a parisiense J.J. Ducel et fils, sua concorrente.

No final do século 19, a empresa passou a se chamar Societé Anonyme de Fonderies d'Art du Val d'Osne.

Frédéric Auguste Bartholdi, escultor da Estátua da Liberdade, em Nova York, também utilizou os serviços da Val d'Osne para fundir réplicas menores de sua famosa estátua. Uma delas está no Musée d'Orsay, em Paris (ca. 1889), outra está em Buenos Aires e outra em Maceió (foto ao lado).

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a Val d'Osne redirecionou seus produtos para armamentos. Após a Guerra, o movimento modernista chocou-se com o tradicional estilo de arte da Val d'Osne. A empresa continuou, com adaptações, até fechar as portas, em 1986, mas seu catálogo de produtos foi incorporado por outras empresas.

 

Igreja São Ciriaco

 

Chafariz

 

Departamentos

 

A Estátua da Liberdade de Maceió, também de Frédéric Bartholdi e fundida na Val d'Osne. Chegou na Cidade em 1904. Mais informações em Alagoanidades.

 

Acima, o chafariz do Terreiro de Jesus, em Salvador, é uma das mais belas entre as fontes fabricadas na Val d'Osne. Inaugurado em 1856, junto com outros chafarizes da Cidade, são os mais antigos no Brasil feitos por essa fundição francesa. Esses chafarizes de Salvador eram parte do Sistema do Queimado, o primeiro sistema de água encanada do Brasil.

 

Igreja de São Ciríaco (église paroissiale Saint-Cyriaque), matriz paroquial de Osne-le-Val, fundada no século 12. O templo atual foi inaugurado em 1850. Dois nichos na fachada abrigam belas esculturas de São Ciríaco e de Santo Eloi.

 

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Anthony Correia